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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

À vocês, meninas e meninos...

[Postado por Anônimo]

MENINOS


Rock Me Baby - BB King/Eric Clapton/Buddy Guy/Jim Vaughn


E


MENINAS


Feitio de Oração - Julietas

domingo, 27 de abril de 2008

Matrinxã, piraputanga e pirarucu

[Postado por Anônimo]

Matrinxã, piraputanga e pirarucu

Ignácio de Loyola Brandão

Dedicada a Eduardo Martins


Na Nova Dutra, um acidente da altura de Santa Isabel me fez esperar 40 minutos. Eu pensando: chego a Caçapava a tempo? Estava a caminho para abrir a semana de comemorações do aniversário da cidade e tenho horror a atrasos. Enfim, andamos. Sete da noite, o cine Vogue vazio. Sala desativada, foi recuperada pela Secretaria de Cultura, não virou igreja de exorcistas. À noite ameaçava chuva, à tarde um temporal havia inundado bairros. Quem viria? Fui comer um sanduíche e, ao voltar, surpresa, o cinema estava quase lotado e na primeira fila vi o prefeito Carlos Vilela e o secretário de Cultura Fabrício Correia.Nós que rodamos o Brasil sabemos que se trata de raridade. Eles promovem, nunca vão. Em Caçapava, promoveram e me suportaram bravamente. Aliás, a dupla vem investindo em cultura e mesmo com verbas apertadas promovem concertos, exposições, palestras, feiras, mostras de cinema, interessados principalmente na cultura do Vale do Paraíba. Como o resgate da Festa de São João, uma devoção popular, que coloca em cena até o carro de boi em extinção. Por sinal, a secretaria realizou um belo vídeo O Canto do Carro de Boi. Em vez de lamentar e reclamar que não existe verba, nem lei Rouanet, e outras desculpas, tem gente que mete a cara e faz. Quem quer faz, quem não quer reclama!

Caçapava, cidade menina dos olhos da Ana Maria Martins, doce criatura, fica no epicentro de uma região, a do Vale do Paraíba, que já deu cinco imortais para a Brasileira de Letras: Miguel Reale (também foi da Paulista), de São Bento do Sapucaí, Cassiano Ricardo (também APL), de São José dos Campos, Osvaldo Cruz, de São Luís do Paraitinga, Francisco de Assis Barbosa, de Guaratinguetá, e o barão Homem de Melo, de Pindamonhangaba.

Nem bem cheguei, parti. Para Cuiabá, a fim de participar do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante. Paulo Caruso e eu falaríamos sobre a crônica brasileira. Por que Caruso o humorista, cartunista? Porque cada desenho seu é uma crônica de nosso tempo. Foi um prazer enorme estar ao lado dele enquanto eram exibidos seus cartuns satíricos, sarcásticos, percucientes. Um deles, antológico, o Capela Severina. Inspirado na Capela Sistina do Vaticano, Caruso construiu uma pintura mordaz que demole usos e maus costumes da política brasileira. A platéia delirou e, como a maioria era formada por estudantes de comunicação, ele deu uma aula de como desenhar e contar sobre tudo o que está aí. Organizados por Luis Nunes e Beatriz Gonçalves, esses encontros vêm traçando um panorama da cultura brasileira e têm sido levados Brasil afora. Não, não, o CCBB não funciona apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, ele se estende, se ramifica. Quem quer fazer faz!

Nossa mesa foi mediada pelo jornalista Lorenzo Falcão que revelou uma qualidade rara em mediadores. Seguro, passava a palavra de um para o outro, controlava o tempo, ficava atento ao auditório. Mediadores, em geral, precisam demonstrar cultura, conhecimento, ficam excitados para aparecer mais do que os palestrantes, fazem longos discursos, querem ser as estrelas. Lorenzo foi preciso, tranqüilo, não tem insegurança, deixou Paulo e eu à vontade, não tínhamos um competir afoito. Mais do que isso, no fim ele nos levou a uma Peixaria, a Lélis. Quando ouvi falar em rodízio de peixes, arrepiei. Rodízios são tenebrosos, os garçons de minuto em minuto enfiam coisas em nosso prato. Quebrei a cara! Na Lélis os garçons trabalham no ritmo lento, olham para seu prato, sabem quando oferecer. Assim, degustei pintado, pacu, piraputanga, pirarucu e matrinxã com vagar. Peixes que se dissolviam na boca, que vinham recheados com farofa de couve, que chegavam acompanhados com creme de palmito, ou o creme de banana, ou farofa de banana. Indo a Cuiabá, anotem o nome, Lélis. Para encerrar, uma dose de canjinjin, licor local, à base de vinho e muitas ervas, com um sabor indefinível, mas que nos colocou de bem com o céu e a terra. Caruso desenhou a caricatura do garçom que nos servia; logo veio outro, ele também queria; vieram todos, ele passou meia hora fazendo caricaturas que fascinaram o pessoal, até a gerente e o segurança quiseram. Admirável é a rapidez do cartunista, o olhar, a linha exata e engraçada. Um traço faz diferença!

Ao acordar, no dia seguinte, andei pelo centro. Oito da manhã e o termômetro marcava 38 graus. Na livraria Janina queria um livro de Ricardo Guilherme Dicke, dos maiores escritores brasileiros. Guimarães Rosa, Jorge Amado, Hilda Hilst e Glauber Rocha adoravam Dicke. Encontrei apenas um exemplar, o último de uma edição local de Deus de Caim, premiado no Walmap em 1967, um dos maiores prêmios literários da época. O romance que derrotou o meu Bebel Que a Cidade Comeu que concorria também.

(Cronica publicada no jornal 'O Estado de Sao Paulo' em 18/04/2008, que me foi enviada pelo amigo Francisco Oitavo - potiguar de boa cepa, nascido no sítio Mutamba, oitavo de dezessete filhos, todos "Francisco/Francisca" mais seu devido "numeral" )

Centro de Eventos do Pantanal em 09/04/2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

18 de abril - Dia Nacional do Livro Infantil

[Postado por Anônimo]

"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.[...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
E depois que morre? - perguntou o Visconde.
Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"
(Memórias de Emília, 1936)

José Bento Monteiro Lobato nasceu a 18 de abril de 1882 - mas jurava de pé junto ter nascido em 1884.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Coxia

[Postado por Anônimo]


Se eu tenho uma dor, eu não a abandono, não fujo dela, quero alfabetizá-la, senão ela corrói as outras lembranças, adorna-se do que não é dela, apossa-se das alegrias que a antecederam e das alegrias que estavam por chegar.

Mas há dores analfabetas, arrivistas, que nos mostram o quanto a própria palavra pode ser fútil e desnecessária, o quanto os planos podem nos contrariar, o quanto somos inexplicavelmente insignificantes.
Fabrício Carpinejar
(foto: Ana Beatriz Occhioni)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Olha o bananeiro!

[Postado por Anônimo]










Mas como dizem:


"O que importa mesmo é ter coragem..."

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Uma possibilidade de amor.

[Postado por Anônimo]


Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio então. E quase paro de sentir fome.
(Por Caio Fernando Abreu, em "Dois ou três almoços, uns silêncios.)
(imagem: Fabian Perez)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Milágrimas (1.993)

[Postado por Anônimo]




Milágrimas
Música: Itamar Assumpção
Letra: Alice Ruiz


Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas tres dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre


Voz: Itamar Assumpção
Vocais: Miriam Maia, Tata Fernandes e Nina Blauth
Flauta transversal: Simone Julian
Contra baixo: Lelena Anhaia
Contra baixo de 5 cordas: Clara Bastos
Teclado: Adriana Sanchez
Bateria: Simone Soul
Percussão-flexoton, caxixis: Nina Blauth

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008!

[Postado por Anônimo]

Tudo novo!

De novo!

Beijos e carinho à todos vocês que fizeram de 2007 um "ano novo".

Que assim seja também em 2008! De novo!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Programa de domingo: Eduardo Neves e Paulinho Moska

[Postado por Anônimo]

O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
(O último dia - Paulinho Moska e Billy Brandão)


Eduardo Neves: Compositor, flautista, saxofonista. Criou o grupo Pagode Jazz Sardinha's Club. - Prêmio Tim de melhor grupo instrumental. Demais!
CD - Gafieira de Bolso

Paulinho Moska: Já sou fã desde a época do Garganta Profunda, Inimigos do Rei e primeiro CD solo.

Os dois juntos? Samba, jazz e gafieira da melhor qualidade! Super!



(Fotos: Lucas Ninno)


sábado, 13 de outubro de 2007

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ventania

[Postado por Anônimo]


(Fernando de Noronha - out/1994)

Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido.
Dono de nada, dono de ninguém,
Nem mesmo dono de minhas certezas,
Sou minha cara contra o vento,
A contravento,
E sou o vento que bate em minha cara.
(Eduardo Galeano)


domingo, 23 de setembro de 2007

...

[Postado por Anônimo]


acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
Paulo Leminski


sábado, 15 de setembro de 2007