sábado, 7 de março de 2009

Momento Zen - II

[Postado por Udi]


...porque aos sábados é mais fácil sentir-se zen

Fiquei surpresa com a receptividade ao primeiro post desta série, o que me deu ânimo em prosseguir (pensem bem antes de serem receptivos a este!).

Apesar da linda e lisonjeira solicitação do meu mais-que-querido-amigo ErreEme para que eu descreva a “minha” experiência pessoal de meditação, optei por dar tempo ao tempo até que possa entender como a “minha” experiência pode ser algo de interesse coletivo, para então (talvez) postar algo a respeito.

Por ora, ficarei com o a idéia que surgiu a partir do comentário do amigo blogueiro António (Tapadinhas) que é pintor e cuja tela (dentre diversas outras maravilhosas) ilustra (em todos os sentidos que tem essa palavra) esta postagem.

Em seu comentário na “postagem Zen” anterior  António considera: Que pena não ter tempo para aprofundar estes conhecimentos...” (sobre meditação) e eu disse a ele que sua pintura já era uma forma de meditação e uma forma de conduzir-nos à meditação. E vocês entenderão o que eu digo, ao contemplar o “Verão” (a ilustração da postagem) e ler o que diz Sogyal Rinpoche no trecho que reproduzo mais abaixo.

Fica então esta postagem na intenção passar a idéia de que meditar “não requer prática nem habilidade”, não é privilégio de poucos “iluminados” nem tampouco separa “materialistas-cartesianos” entre “medíocres” e “não-medíocres”...pelo contrário. Tenho certeza que todos aqui já puderam experimentar o estado meditativo.

“...somos educados na crença de que nada além daquilo que possamos perceber com os nossos sentidos comuns é real.

     Apesar dessa negação maciça e quase generalizada de sua existência, temos às vezes breves vislumbres da natureza da mente. Eles podem ser inspirados pela elevação de uma obra musical, pela serena felicidade que experimentamos por momentos no contato com a natureza, ou pela mais comum das situações do cotidiano. Podem surgir quando vemos a neve caindo lentamente, quando vemos o sol nascer por trás de uma montanha, ou quando observamos um raio de luz entrar na penumbra do quarto de modo misteriosamente tocante. Esses instantes de iluminação, de paz e sublime felicidade acontecem para todos nós e permancem conosco de maneira estranha.”

·         A título de “esclarecimento técnico”, vale ressaltar que este conceito acima reproduzido (do mesmo livro citado no post anterior) tem como referência um capítulo anterior ao que foi postado anteriormente. Tudo isso porque vale a gente interagir com a “audiência” e abrir mão do roteiro previamente traçado em nome de manter a sinergia em altos níveis (afffe! ...please! não me peçam esclarecimentos sobre este parágrafo.)

21 comentários:

rm disse...

Ei Udi,
por ser materialista e cartesiano, preciso reconhecer que esta foi uma postagem ainda melhor que a primeira. E desconfio que revelou parte da sua experiência pessoal.

Por que sua experiência pessoal é de interesse coletivo? Por que não?

Ah, Udi, será que você pode explicar melhor o "esclarecimento técnico"? rss

(bela ilustração do post. Parabéns ao autor!)

A.Tapadinhas disse...

Na Arte, como na Vida, são as experiências pessoais que podem transformar o mundo. Daí a tua experiência ser importante para nós. A maneira como ela se pode tornar de interesse universal depende de circunstâncias exógenas.
Depois de meditar um pouco no assunto, acho que todos nós temos um catalisador... O meu é a pintura! Descubra o seu!
:)
Beijo.
António

PS Já me aconteceu muitas vezes: quando encontro obras minhas fora do contexto habitual, normalmente gosto do que vejo, o que será natural mas, ao mesmo tempo, fico surpreendido com elas...
Aconteceu mais uma vez...

Udi disse...

Ei moço,
então cê já sabe que sabe meditar... e também já sabe como me tocam as músicas que posta em seu blog.
Que bom que você gostou.
Você tem razão: por quê só pode ser postada se for de interesse coletivo? Muita pretensão, né? Cê tá quase me convencendo! ;)

...e eu tinha certeza que você ia me provocar com o tal do "esclarecimento técnico" (também é muita pretensão ter tal certeza, né?)

Udi disse...

António:
antes de tudo quero te agradecer muito a autorização para publicar a sua tela! Assim, no escuro, sem nem saber o conteúdo da postagem, coisa de confiança entre amigos.

Agora que estou menos pretensiosa com relação a postar o meu depoimento sobre a meditação, creio que será mais fácil colocar em palavras. Vou tentar, se não ficar algo muito hermético, postarei.
Meu catalisador (cada dia tenho mais certeza disso!) são as aulas de hatha yoga, tanto as que dou quanto as que recebo. Olhando assim por esse prisma do "catalisador", percebo que o termo é adequadíssimo: a yoga é por onde eu percebo que minha alma flui. Obrigada por mais essa sacada.

E... bem, ter te possibilitado uma nova forma de olhar para a tua obra, uau! Isso eu jamais havia sonhado.
beijo agradecido

Chirifulfly disse...

Gostei da harmonia aqui presente. Abraço a todos!

"Cada ser humano segue sua vida da forma como acredita que foi destinado. Plante de uma forma mais positiva os sentimentos que deseja colher. Chega de repetições."

Ti disse...

Querida Udi,

Experiências da vida são sempre maravilhosas!! Para nós que a vivemos, sem dúvida, e para aqueles que têm interesse em saber, mesmo não sabendo que têm...

Beijos

Udi disse...

Oi Anderson,
seja bemvindo, pelo que notei chegou até aqui através da Teresa, é isso?
Obrigada pela visita e apareça para ler os demais colaboradores deste café.

Udi disse...

Ti, linda!
Sempre sacando o que está no ar, né? Obrigada pela dica e pelo seu carinho de sempre! (saudaaaaades!)
beijo

Flavio Ferrari disse...

Udi:
Para você que curte, alguns ensinamentos do bom e velho Gedeão...
1. O interesse nunca é coletivo, embora pareça. É sempre individual. Sendo assim, escreva o que lhe der vontade e cada um retirará daí o que lhe interessa, de acordo com sua própria interpretação.
2. Não defina, nem a sí nem aos outros. Definições são sempre pobres e limitantes. Quem se define, vira escravo da própria definição. Quem define o mundo, limita sua percepção.
3. Não temos apenas 5 sentidos. Essa foi uma definição de alguém que acabamos por aceitar.
4. Meditação é diferente de contemplação, embora o segundo possa facilitar o primeiro. Meditação não se ensina. É um estado de mente que requer disciplina e relaxamento (duas coisas de difícil convivência). Em última instância, meditar é parar de pensar, diferentemente do que indicaria o senso comum. Como método para iniciantes (posição em que estou e permanecerei) recomendo utilizar o som de um sino condutor para "esvaziar" a mente de outros pensamentos.
5. E o último parágrafo acima prévio ao anterior é mesmo uma pérola.

Udi disse...

FF, mestre querido, não tenho certeza de ter sido apresentada ao Gedeão, mas os conselhos dele serão acolhidos.
E... bem, quanto a falar em contemplação x meditação, a nota em letras minúsculas no rodapé do texto, pretende, exatamente, me eximir de qualquer afirmação que alguém tenha entendido que eu fiz... e, a menos que você consiga me tirar do looping no qual entrei com o item 5, eu me sentirei muito à vontade para não esclarecer o que você entendeu diferente do que eu quis dizer.

Érica Martinez disse...

ora ora e não é que a rã está saltando cada vez mais alto? srrs

Udinha, acho que vc se "encontrou" com o tema, pq pelo que me lembro, vc sempre foi mais "audiência" do que... (quem é que está do lado contrário da audiência? (muito cedo pra processar...)) e agora, com esses posts super 'ensinativos', chegou ao seu lugar! Tô amando!

Bjo da gafanhota!

Udi disse...

Êita, gafanhota-flor!
acabei de deixar alguns comentários lá no "beijo, me liga".
Tá uma delícia aquilo! Cê precisa divulgar um pouco mais.

O outro lado da audiência pode ter vários nomes, depende da função:
- espetáculo/ show
- programação
- conteúdo (posso ficar com este?)
- vitrine (affe!)
- palco
seiláááá!!! eu entendi quicêquis dizer!
beijos Udi-ran

e nossa HH? Firme?

rm disse...

Ei dona Udi,
acabo de postar seu texto no "RM NO VERBO":
http://verbofeminino-rm.blogspot.com/2009/03/mulheres-e-meninas.html

Vim agradecer. Beijão!

Amanda Arthur disse...

Udita, sempre achei que quando você soltasse o verbo, seriam só aplausos. Dito e feito!
Conta mais. Estou adorando.
E, by the way, me parece que meditar ou contemplar, pouco importa o que se faça, desde que se consiga sair da roda-viva e se deixe a energia fluir e a alma respirar.
Beijaço!

Flavio Ferrari disse...

Udi: o Gedeão é o sexto neurônio.
E quanto ao último parágrafo, me diverti tanto com a construção "...(do mesmo livro citado no post anterior) tem como referência um capítulo anterior ao que foi postado anteriormente" que nem prestei atenção à explicação. Essa é a minha querida Udi...

ps - o contrário de audiência é surdiência.

Udi disse...

Ei Erre, vou fazer silêncio, nêgo... a gente já rasgou seda demais, nénão? Tô ficando envergonhada... (e isso ainda são coisas do ego!)
beijão enorme de obrigada!

(viu que eu coloquei um recado no Prozac?)

Udi disse...

Amandita linda!
Talvez a possibilidade "soltar o verbo" tenha a ver com praticar a meditação. Estranho, né?
Obrigada pela receptividade, amiga!
beijãozão!

Udi disse...

FF: quando te chamo de mestre, não é força de expressão. Com quem eu aprendi a fazer notas de rodapé prá proteger a minha ré? (ai! péssimo! ...como dizem os filhos: foi mal!)

Udi disse...

FF: corrigindo: com você aprendi mais essa leveza que qualquer outra teoria.

Flavio Ferrari disse...

Pelo visto aprendeu a fazer rimas comigo também ...

Udi disse...

As rimas são mais da Bete que da udi.