domingo, 18 de maio de 2008

Falta um divã para o Gikovate

[Postado por Flavio Ferrari]

Meu xará, Favio Gikovate, inaugurou um programa de aconselhamento na Rádio CBN: "No divã com Gikovate".
Agora pouco, a caminho de casa, tive a oportunidade de ouví-lo por alguns minutos no rádio do carro.
Fiquei desgostoso.
Não conheço o Sr. Gikovate. Sabia apenas que é famoso e polêmico. Agora também o considero perigosamente leviano.
Uma mãe aflita porque sente que gosta mais de uma filha do que das outras duas pede seu conselho. A razão, segundo a mãe, seria o fato de ela não ser tão esperta quanto às outras, ser mais preguiçosa e ir mal na escola.
Ouve como resposta que as coisas são assim mesmo. Quando o filho não corresponde às nossas expectativas a gente gosta menos dele. Melhor assumir e não disfarçar.
Mudo de estação indignado.
Alguns minutos depois, sem querer, volto para a CBN (é uma das 6 emissoras programadas no meu rádio).
Lá está o Gikovate explicando para uma moça, preocupada com o fato de que ela e o namorado moram em cidades diferentes e sua condição financeira não permite viajar com frequencia, que esse tipo de "fator externo" é irrelevante para a relação. Com singular serenidade conclui que eles não tem maturidade suficiente para conduzir uma relação afetiva.
Meus amigos, isso é criminoso.
O homem é uma "autoridade". Pessoas aflitas, inseguras, momentaneamente perdidas na confusão de seus sentimentos, acreditam cegamente em "autoridades". Seguem seus conselhos e tomam suas palavras como absoluta verdade.
Quando era (bem) mais jovem, também dei conselhos levianos, sem suficiente conhecimento de causa, para pessoas que me percebiam, de alguma forma, como uma "autoridade".
Aprendi que isso não era bom.
Hoje procuro evitar. As vezes escapa, e logo me arrependo. Se possível, me corrijo.
Acredito que a única ajuda possível é instigar a reflexão. Nossos conselhos, quando muito, servem para nós mesmos.
Palpitar na vida dos outros, a partir de um e-mail ou de rápidas palavras trocadas ao vivo por telefone, tendo a responsabilidade de ser uma "autoridade" endossada por um veículo de comunicação de prestígio inquestionável, me parece um rematado absurdo.

7 comentários:

Ernesto Dias Jr. disse...

O programa é inspirado naquelas coisas americanas do rádio, já tão exploradas por Hollywood.
Também acho esquisito.
E, resguardadas as várias diferenças de capacidade crítica do público, muito do que você disse aplica-se a um montão de livros de auto-ajuda. Inclusive os escritos por gurus de administração...
Lembro bem, por exemplo, do primeiro número de uma revistinha sem-vergonha chamada Você S.A.
Quem tiver acesso ao exemplar, procure por uma reportagem que fala sobre a idade dos executivos.
Lembro também que meu exemplar foi parar na lixeira do banheiro da rodoviária...

Jorge Lemos disse...

Concordo plenamente com você.
A mente humana, de extrema complexidade, quandoanalisadas deve merecer profundo equilibrio.
O divã já explicita a necessidade do tempo e a permeabilização do entendimento. Considero um mundo "verdadeiramente cão" o comportamento
destes falsos doutores das soluções por atacado, todos
"milagreiros" da exploração das fraquezas humanas. Gikovates e
milhares de "pastaores" exploradores da miséria humana.

Suzana disse...

Concordo com vc, a melhor ajuda é estimular a pessoa a refletir, qualquer excedente é mera especulação.

disse...

Leviandade.
Uma lástima que pessoas influentes ,cegas pela vaidade, não tenham suficientes zelo e respeito com as pessoas.
Necessitam armar o circo e comandar o inconsequente espetáculo...

Érica disse...

ele seguiu à risca a história de "se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se" e como a gente sabe bem, quanto mais vender, melhor, não daria tempo de ele elaborar respostas mais fundamentadas, pq tempo é dinheiro and it's aaaal about money.

Anônimo disse...

ele aconselha na vida publica o q faz na privada.Assim ele trata os pps filhos q. poderiam ter fundado A Associação das vitimas do Flavio Gikovate.Felizm/ com a idade mudaram p/ Associação dos Sobreviventes do dito cujo;bem sobrevividos apesar dele e de sua infame psicologia facista irresponsavel.Parabens pelo seu comentario.Flavio Ferrari

Anônimo disse...

Para q. não paire nenhuma duvida a anonima de ontem sou eu Wanda Pedroso q. moro no Rio de Janeiro e conheci ,por conta da profissão o comportam/ deste cidadão