terça-feira, 4 de setembro de 2007

Crônica

[Postado por Reinaldo Ortega]


Achava que eram crônicas os poucos textos que escrevi no Ecoar, pesquisei e confirme, sim, estava certo é crônica mesmo, diagnostiquei!
Afinal, não estava tão distraído assim naquela aula de português no primário. O que eu não sabia, eram dos sub-estilos, essa, por exemplo, muito divertida, de autoria de Luis Fernando Veríssimo, é uma crônica de humor, com o titulo: Vestibular, exemplo que ilustrava a explicação sobre o tema. Achei que valeria a pena ser lida e compartilhada. Aproveitem a divertida leitura!


( ...) Nunca tive que passar pelo martírio de um vestibular. É uma experiência que jamais vou ter, como a dor do parto. Mas isso não impede que todos os anos, por essa época, eu sofra com o padecimento de amigos que se submetem à terrível prova, ou até de estranhos que vejo pelos jornais chegando um minuto atrasados, tendo insolações e tonturas, roendo metade do lápis durante o exame e no fim olhando para o infinito com aquele ar de sobrevivente da Marcha da Morte de Batan. Enfim, os flagelados do unificado. Só lhes posso oferecer a minha simpatia. Como ofereci a uma conhecida nossa que este ano esteve no inferno.– Calma, calma. Você pode parar de roer as unhas. O pior já passou.- Não consigo. Vou levar duas semanas para me acalmar. – Bom, então roa as suas próprias unhas. Essas são as minhas.– Ah, desculpe. Foi terrível. A incerteza, as noites sem sono. Eu estava de um jeito que até calmante me excitava, e quando conseguia dormir sonhava com escolhas múltiplas: A) fracasso, B) vexame, C) desilusão. E acordava gritando: Nenhuma destas, nenhuma destas. Foi horrível.– Só não compreendo porque você inventou de fazer vestibular a esta altura da vida...– Mas quem é que fez vestibular? Foi meu filho! E o cretino está na praia, enquanto eu fico aqui, à beira do colapso.Mãe de vestibulando. Os casos mais dolorosos. O inconsciente do filho às vezes nem tá: diz pra coroa que cravou coluna do meio em tudo e está matematicamente garantido. E ela ali, desdobrando fila por fila o gabarito. Não haveria um jeito mais humano de fazer a seleção para as universidades? Por exemplo, largar todos os candidatos no ponto mais remoto da floresta amazônica e os que voltassem à civilização estariam automaticamente classificados? Afinal, o Brasil precisa de desbravadores. E as mães dos reprovados, quando indagadas sobre a sorte do filho, poderiam enxugar uma lágrima e dizer com altivez:– Ele foi um dos que não voltaram...Em vez de:– É um burro!

11 comentários:

Walmir Lima disse...

Por coincidência, eu e o Ernesto comentamos hoje: gostamos de tuas crônicas. Algumas são bem no estilo aqui do 'Prozac'. Devias postá-las aqui também. Compartilhe. A cambada vai agradecer. Estou certo disso.

Udi disse...

Ôba! Mais um cronista no pedaço! Estamos aguardando, Ortega.

Estrelinha disse...

Ortega...para mim esse texto foi a sua estréia aqui!!!Beijo GRANDÃO!!!!

Reinaldo Ortega disse...

Obrigado pelo apoio, prometo que tentarei escrever mais, mesmo acreditando que sou mais afinado com a lente que com a pena, como disse a Udi.

É! disse...

AMO VERÍSSIMO! Tenho todos, inclusive aquele: "As mentiras que os homens contam"
Agora estou curiosa a rspeito das suas crônicas!! Manda! rsrs

Anne M. Moor disse...

Vestibular... uma tortura chinesa para adolescentes e familiares... Por diversas razões... Depois conto mais...

Reinaldo Ortega disse...

Érica, "As mentiras que os homens contam", não conheço essa crônica de ficção, rsrs.

Walmir Lima disse...

Estou com a Estrelinha, linha e entrelinha.
Agora ele se achou!

Walmir Lima disse...

E achou o caminho certo do Blog.

Estrelinha disse...

Ufa...Valmir obrigado pela compreensão, mas não gostei da estréia torta dele...rs...aquela estréia não foi digna de um REI!

Walmir Lima disse...

Eu também não. E ele sabe escrever coisas ótimas.