sábado, 1 de março de 2008

Quer apostar ?

[Postado por Flavio Ferrari]

Tudo que aprendi na vida até hoje foi útil, exceto a análise sintática.
Me perguntaram se eu tinha apostado muito no cassino lá em Las Vegas.
Eu respondi que já aposto muito por aqui.
Todo mundo que escreve aposta.
Mas, se como eu, não dá bola para análise sintática, nem sabe disso.
O aposto, essa gracinha de termo acessório da oraçâo, explica o substantivo como o adjunto adnominal, mas aparece de forma isolada, ora entre vírgulas, ora separado por uma única vírgula no início ou no final de uma oração ou ainda por dois pontos.
Na oração anterior a expressão "essa gracinha de termo acessório da oração" é um aposto.
Ou seja, acabei apostando, quando o que queria mesmo é apenas postar...

41 comentários:

Anne M. Moor disse...

Análise sintática não se aprende, se adquire. Quando muito, aprende-se a falar sobre a análise sintática. Entrar nos meandros da sintaxe é prazer de alguns, mas certamente não das crianças e dos adolescentes na escola.
A criança com 2 anos SABE sintaxe ao dizer "quero água." Ela jamais dirá "água quero"...
Quando eu disse ao meu sobrinho-neto de 2 anos "eu tenho dois orelhas" de brincadeira pra ver qual seria sua reação, ele me olhou indignado, fez NÃO com o dedinho gordo e me disse, bem pausadamente: "NAO. Eu tenho DU - AS oieias!!"

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

Nem precisa aposta.Quem sabe postar assim, nem sabe que sabe aposto.
Isso posto,continue sem saber.
Bjo.

PS:o suposto não procede.

Walmir Lima disse...

Pois eu a posto como uma de suas postagens melhor postadas para um bom debate.

Walmir Lima disse...

Eu, por exemplo, considero o tema apaixonante e a língua portuguesa uma das mais ricas e, principalmente, lógicas, em termos de sintaxe. Conversaria sobre isso durante dias.

Walmir Lima disse...

Aposto todas as minhas fichas.

Jorge Lemos disse...

O apostar é o oposto do que é posto. Se a a sintaxe é a parte da gramática que descreve a regra de arranjo das palavras na contrução das frases, algo maior, muito maior, movimenta o valor da palavra; é a liberdade criativa, que se aplica exatamente para quebrar regras.
Guimarães Rosa foi mestre ao transgredir quando dizia: "amar, eu vou. Comer, eu vou. Cada coisa no seu devido tempo. Da regra fujo,
mas sei muito bem que todos entenderam"...

Ele podia, não?

Jorge Lemos disse...

É que ontem, domingo, Walmir e eu, ficamos horas defendendo estilos literários, tudo, enquando a falta da energia elétrica nos privava do computador.
Papo prá se alongar por noites.

Jorge Lemos disse...

sábado. As regras mexeram com o quengo.

disse...

JORGE:
Guimarães Rosa desconstruia fazendo arte em prosa.
Joao Cabral de Melo Neto questionava regras fazendo arte em poesia:
Antilírico, engenheiro objetivo,construia sua poesia fora do "eu", o que é muito mais difícil.Negava a inspiração , afirmava a construçao lógica e analítica.
Poesia pra poucos olhos.Gênio....
Desconstruir e transcender modelos,com arte, é pra gênios.
E ja´que estou falando em GRANDES, e, mais uma vez, abusei do espaço e fugi ao tema, aproveito pra exercer a tietagem:
GREGORIO DE MATTOS- the best(rss), inacreditavel e poderosamente bom
Bahiano - só podia....
Jorge poeta, beijão e saudade.

Walmir Lima disse...

É isso..
Um poeta, no nível deles, como o Jorge, que tem 'O' dom para escrever, por exemplo, o poema "A Semente", postado ontem no "Sombras & Fragmentos", pode, sim, quebrar todas as regras.

disse...

Não é poder Walmir, é SABER (rs).
Jorge sabe mesmo...
Bjo querido.

Walmir Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Walmir Lima disse...

Concordo em gênero, número e grau...
E, como discutíamos ontem, Estephania, Jorge e eu, a sintaxe da língua portuguesa é tão rica e linda, que você toma todas essas licenças poéticas na construção das frases e continua a entender o sentido, aliás, até o enfatizam, o deixam mais forte.
Vai da arte e do estilo de quem o faz.

disse...

Nunca vi isso... Fala sério ...
Escreve, toca guitarra, canta, fala um monte de linguas e ainda dá um palpite CERTEIRO desses na lingua portugesa.
Isso sem falar na "fidalguia".
Amigo "top de linha".Adoro...

Anne M. Moor disse...

A língua nos abre portas para usá-la dentro das muitas possibilidades de sentido e a sintaxe as explica todas. A 'regra' existe para ser desconstruída e reconstruída dentro dos sentidos da semântica e da pragmática. Nunca tem uma única maneira de dizer, de expressar, de poetar...
Os 'monstros' (palavra do Jorge) tem mais capacidade de fazer a língua significar como eles imaginam o que querem expressar, onde incluo o Jorge Lemos, nosso AMIGO. A arte se manifesta na e pela língua sempre.
Walmir, adoro também discutir sintaxe!!

Jorge Lemos disse...

Louvo aos que pensam.
Blogar vem se transformando numa grande odisséia, viagens e travessias que nos possibilitam manter vivo o interesse por algo sólido que é o conhecimento. O humano é o mais importante.
A Lú (por exemplo) nos aponta vários inimitáveis transgressores do bem e perfeitam,ente coerente
vai buscar Gregório de Mattos.
Redundância nunca foi erro; o reforço de expressão dá aos que merecem o valor que têm, aqui reforço sua palavra.
Walmir mil. Garoto que passeia
pelo conhecimento de forma tranquila. Anne aguçada e perspicaz: the best.

Para onde foi o Principe?
Belo tema!

Anne M. Moor disse...

Voltei. Este assunto me apaixona!!!
Na realidade, a gente aprende a usar a sintaxe escrevendo. Para escrever temos que, fundamentalmente, ter:
um leitor
algo a dizer
motivação
Não é memorizando regras e fazendo provas sobre o que é um aposto que aprendemos a usar a sintaxe!!! Precisamos aprender COMO a sintaxe pode estar a nosso serviço para nos expressarmos de maneira inteligível e especialmente inteligente...

Flavio Ferrari disse...

Gregorio de Mattos é uma boa mistura de Jorge Lemos com Ernesto Dias ...

Versos como:

"Eia! Estamos na Bahia ,
onde agrada a adulação,
onde a verdade é baldão,
e a virtude hipocrisia:
sigamos esta harmonia
de tão fátua consonância,
e inda que seja ignorância
seguir erros conhecidos
sejam-me a mim permitidos,
se em ser besta está a ganância."

... poderiam mui bem haver sido escritos por essas 4 hábeis mãos.

Flavio Ferrari disse...

Mas o meu preferido do "Bocão" (como carinhosamente me refiro ao Boca do Inferno) é o objetivo e pragmático verso:

Adeus Bahia
Bahia dos meus encantos
É merda para todo lado
E puta para todo o canto

Reza a lenda que foi declamado do convés do navio que o levava, expulso, da sua terra natal.

Flavio Ferrari disse...

E se não é bem isso, perdão, meus amigos ...
Mas educação formal e, particularmente, a literatura, nunca foram o meu forte ...
Prefiro aprender com essa quadra de doutos (Anne, Lucia, Walmir e Jorge).

Anne M. Moor disse...

Obrigada Flávio, mas douto, eu??? Apenas gosto de desafios e tenho uma curiosidade infernal... :-)
Obrigada você por lançar esta provocação... Adoro provocações... :-)

disse...

Flávio:
Esse é mesmo o Gregório que eu ADORO.
Tannsgressor maravilhoso!
Não há porque perdir perdão.
É bem isso sim...
Olha essa(manjadíssima , mas nem por isso de menos valia):

Pica-Flor

(A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".)

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.



Eu sempre disse , digo de novo e repito:
Gente convencional me cansa...(rs).
Bjao.


PS:Douta eu? Em nada felizmente.
Assim to sempre na ânsia do quero mais...

Anne M. Moor disse...

Lú,
A convencionalidade apesar de cansar é muito chata... rsrsrsrs

Jorge Lemos disse...

Nem douto nem sábio, apenas
o curioso que busca respostas
nos quadrados do mundo, mas que muito admira os curiósos também.
Tem gente sobrando no mundo, mas poucos, entretanto, que buscam respostas para as coisas que vêem.
A infatigável busca da Anne; sua presença fascina. Ela é douta, sim!
E a Lú? Veja o que se esconde em em suas sentenças. O lord, Walmir
das candongas, pescador em mares calmos, linhas de fundo, profundo.
Paciência de Jó. Ficou 3 horas mos ouvindo, Ernesto e eu, na noite de ontem. Vez em quando um aceno verbal, aparentemente surpéfluo, mediditado profundo. Abertura consentida para promover o encontro de dois amigos.
Doutos: o conhecer define. Sábios senhores da tribo que sabe.
No mais, todos demais.

Walmir Lima disse...

E eu posso ser é 'douto' nível, mais em baixo em relação aos outros três. Isso, sim!

Anne M. Moor disse...

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Meu Deus!!!!Que de quanto rapapé!!!! Eu diria que o único 'douto' é o Jorge... Nós somos curiosos inveterados que gostamos de 'get our teeth into' um bom desafio!!
Beijos 'douto' mundo pra todos :-)

Anne M. Moor disse...

Flávio olha o que começaste!!!! Hahahahahahahaha

Raquel Neves de Mello disse...

Quem diria que um aposto fosse dar tanto comment (28; com o meu 29). E eu achava que so sexo dava ibope aqui. Beijos para os doutos e para os outros.

Angela disse...

Juro que tentei entender como na época de escola: O esqueminha do Flávio, a lógica como disse o Walmir, e os bárbaros exemplos dados pelo Jorge e pela Lúcia...enfim, adquirir a análise sintática com diz a Anne...
Tem jeito não, isso é mesmo coisa pra "quadra de doutos".

Mas falando sério... Qual é a diferença entre um aposto e um adjunto adnominal?

Beijos para os doutos e para a Raquel que lembrou de mandar beijo para o pessoal dos "outros"!

Ernesto Dias Jr. disse...

Raquel:
Sexo pode não dar ibope, mas Ibope dá sexo, rsrsrsrsrsrsrs

Flávio:
Uma honra me ver como uma das mãos de Gregório. Que, aliás, só descobri mesmo -- como tantas outras coisas -- através da Lú.

Ernesto Dias Jr. disse...

Quanto à análise sintática, nunca passei do básico. Mas reconheco a utilidade. É uma boa ferramenta quando a gente fica com a quela dúvida de construção...

Flavio Ferrari disse...

Dar sexo ??? Nunca !!!
Só empresto, mas para devolver na hora ...
Gregório foi o único poeta pelo qual me interessei nos tempos de colégio.
Quanto à diferença entre um aposto e um adjunto adnominal, creio que o primeiro explica e o segundo qualifica.
Mas perguntem aos 3 doutos ou ao sub-douto ...
Eu só escrevo.

Anne M. Moor disse...

E tem que saber explicar a diferença???????????? That's my point!! Tem que saber usar e se um ou outro não importa, desde que o texto fiquei coesa e coerente ou, melhor, inteligível e inteligente e quem lê consiga construir significado...

Anne M. Moor disse...

Saber falar sobre essa diferença em termos gramaticais, se deixa pros loucos (eu, Walmir, Jorge,...) que gostamos de delirar tecnicamente sobre a sintaxe... :-) (rsrsrsrs)

Anne M. Moor disse...

E o contrário é verdadeiro! Tem os que sabem falar sobre a sintaxe e tiram 10 nas provas, mas não conseguem escrever nada que preste!! Este exemplo não se encontra em nossa blogosfera (rsrsrsrs)

É! disse...

uau!

Jorge Lemos disse...

Ufa... respondeu uníssona a galéra
da Academia: douta Anne, magistralmente, deslisa entre o conteúdo e a forma revitalisando (seria com z?) o conhecimento.
Aposto no a posto agora. O que foi posto me satisfaz.
Viva a mais nova lingua, a Luzitana, que brilha mais que a luz, pois infunde amplas observações.
Valeu gente.
Putz... o Príncipe é fogo.

Jorge Lemos disse...

Sabemos que a Angela sabe é que ela, mansa e terna vem para por fogo na fervura:

O adjunto adnominal se aplica como termo de valor adjetivo que qualifica, ou melhor; especifica o valor de um substantivo em qualquer que seja a sua função. Isto posto definiria: Ajunto adnominal sempre reforça e valoriza o substantivo. Resposta simples para uma pergunta fogo.

Flavio Ferrari disse...

ôpa ... então acertei !!!

Anônimo disse...

Já que estão falando acerca de língua portuguesa, aqui deixo uma observação: a concordância apenas se encerra em gênero e número. Grau é derivação, isto é, é um processo assistemático. Como disse Varrão: derivatio voluntaria. É optativa para o falante. Meu nome é Hugo. Tenho msn para possíveis discussões: transobjetivo@hotmail.com
Abraço a todos.